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Artigo de Opinião - Parto Sublime

O momento do parto continua sendo o mais sublime da vida humana. Representa a inauguração da maternidade e paternidade, associada ao surgimento de uma nova existência. Trata-se de um ato com grande significado e que deve ser mantido num patamar superior de discussão e aprimoramento.

A história da evolução da assistência ao parto nos revela momentos marcantes ao longo do tempo, com especial atenção para os séculos XVII e XVIII quando, na Europa, a “Arte Obstétrica” passou a ser incorporada como atribuição da Medicina. Até então os partos eram realizados exclusivamente por mulheres conhecidas popularmente como “aparadeiras”, “comadres” ou “parteiras”, que se valiam do saber empírico e assistiam às mulheres durante a gestação, o parto e o puerpério em seus domicílios.

Com a incorporação à Medicina, a figura masculina, que predominava no exercício médico daquela época, foi introduzida na assistência ao parto. Apenas em 1887, formou-se a primeira médica no Brasil, a Dra. Rita Lobato Velho Lopes, pela Faculdade da Bahia. No ano seguinte formou-se a segunda médica, a Dra. Ermelinda de Vasconcelos, no Rio de Janeiro. Coincidentemente, foi nesta época, no final do século XIX e início do século XX que ocorreram as maiores transformações referentes ao ensino médico obstétrico no Brasil com a construção da primeira maternidade anexa a Faculdade de Medicina da Bahia.

A evolução dos tempos mostrou que a intervenção médica com os seus conhecimentos científicos de anatomia, fisiologia e patologia, junto com a hospitalização do parto, provocaram um importante avanço na assistência, com redução significativa dos maus resultados, em especial no que se refere à mortalidade materna e/ou fetal. Os conhecimentos evoluíram e as práticas foram aperfeiçoadas, tornando o parto cada vez mais seguro e confortável para o binômio mãe/feto.

A contemporaneidade trouxe novas terminologias para o momento da concepção, como “violência obstétrica”, “parto humanizado”, “de risco habitual”. Nada durante este momento poderá ser considerado ou realizado de forma desumana ou violenta. No entanto, consideramos ato desumano e violento, a exposição materno/fetal ao risco, pela falta de acesso aos ambientes adequados e seguros, com a assistência de uma equipe multidisciplinar, preparada para intervir nas diversas fases do processo do parto que será considerado de risco habitual apenas quando chegue ao seu final.

A classe médica representada pelo CREMERN evitou o fechamento da maternidade Almeida Castro na cidade de Mossoró, através de uma Ação Civil Pública na esfera Federal. Atualmente essa maternidade funciona com 180 leitos incluindo UTI neonatal e de adulto, tendo realizado no ano de 2017 uma média de 17,3 procedimentos por dia. Trata-se de uma Ação Judicial de benefício coletivo, fruto da atuação fiscalizadora do CREMERN, que conta com o apoio do Ministério Público e com a sensibilidade do Poder Judiciário que determinou a formação de uma junta interventora para administrar a maternidade. Essa é uma das providências tomadas com o objetivo de manter a disponibilidade de ambientes adequados e seguros para a realização do parto.

O futuro prevê que as Escolas Médicas e a Sociedade de Especialidade da Obstetrícia em conjunto com a evolução científica, seguirão contribuindo para a evolução na assistência e o CREMERN seguirá na busca pela boa prática da Medicina.

No último dia 12 de abril foi comemorado o Dia do Médico Obstetra, especialista responsável por coordenar a equipe multiprofissional. Parabéns aos obstetras e às obstetras que trabalham no sentido de propiciar acolhimento, carinho e principalmente segurança às mães e seus conceptos nesse momento tão sublime.

 
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